A crise energética provocada pela guerra EUA/Israel-Irão está a desacelerar o crescimento da economia global este ano, segundo a Fitch. A agência de notação financeira reduziu em 0,2 pontos a sua previsão de crescimento para 2024, estimando agora um aumento de 2,4%. A inflação elevada penaliza os salários, reduz o consumo das famílias e aumenta os custos das empresas.

Apesar do choque no preço do petróleo, o investimento em inteligência artificial e o comércio global, especialmente as exportações asiáticas, mantêm a perspetiva de crescimento acima de 2%. Brian Coulton, economista-chefe da Fitch, destaca: “O choque no preço do petróleo está a impactar as perspetivas de crescimento global, mas o boom no investimento global em tecnologia está a amortecer o impacto no curto prazo, particularmente na Ásia.”

A Fitch já reviu em baixa as perspetivas de crescimento dos EUA (1,9%) e da zona euro (0,9%), enquanto a China viu a sua estimativa subir 0,3 pontos para 4,6%, graças à resiliência das exportações. O estreito de Ormuz, fechado há 14 semanas, só deverá reabrir em julho, e o preço do barril de petróleo foi revisto para 87 dólares.

A crise atual é considerada menos severa que os choques petrolíferos dos anos 70, quando o barril atingiu 170 dólares. O peso do petróleo no PIB mundial foi reduzido para metade desde essa década. Num cenário mais adverso, com petróleo elevado e condições de crédito difíceis, o crescimento dos EUA pode cair para 0,8%, da zona euro para 0,3% e da China para 3,4%.

O investimento em tecnologia disparou 18% no primeiro trimestre nos EUA, com evidências de rápido investimento noutros países. As importações de bens de capital aumentaram quase 30% nos EUA, e as exportações de chips impulsionaram fortes primeiros trimestres na Coreia do Sul, Taiwan e China. As vendas globais de chips subiram 80% em março. A Fitch prevê que o BCE aumente as taxas em 25 pontos base em junho, com reversão no próximo ano, enquanto a Fed manterá as taxas em 2024, com cortes apenas em 2027.