O declínio do Ocidente é um tema que ganha cada vez mais relevância no debate académico e político global. A erosão da hegemonia ocidental, impulsionada pela ascensão de potências asiáticas, especialmente a China, e pelo fortalecimento do Sul Global, coloca questões profundas sobre o futuro da ordem mundial. Este artigo explora como universidades e instituições de prestígio nos EUA, Reino Unido e França estão a abordar a temática, e alerta para a urgência de uma reflexão prospetiva que prepare a sociedade para as transformações em curso.
A investigação e o ensino já demonstram sensibilidade a esta problemática, com cada vez mais universidades a integrarem a análise da transição para a multipolaridade nos seus currículos. Contudo, os governos ocidentais parecem relutantes em reconhecer a magnitude das mudanças, e os interesses instalados bloqueiam uma discussão aberta e informada. A prospecção estratégica, enquanto ferramenta de antecipação de cenários, torna-se essencial para que as sociedades não sejam apanhadas desprevenidas.
Estudos produzidos em instituições como a Universidade de Chicago, Yale, LSE, Oxford, Sorbonne e Sciences Po Paris revelam diferentes abordagens: uns focam-se no realismo estrutural, outros nos desequilíbrios entre gastos militares e sustentabilidade económica, e outros ainda na comparação com a queda de impérios históricos. No mundo lusófono, o Brasil, através da Fundação Getúlio Vargas, tem sido um ator relevante, dada a sua posição de fundador dos BRICS. A pergunta que fica é: estará o Ocidente realmente preparado para enfrentar este desafio existencial? A resposta, a avaliar pelas evidências, parece ser um retumbante não.