Henry Kissinger ocupa 90 páginas a enquadrar a China, cultural e historicamente, desde a sua histórica abertura ao mundo. Na prática, este é o corolário, em livro, do seu profundo conhecimento da China, cujas relações com o Ocidente ajudou a tecer. Recorrendo a registos históricos e a conversas que manteve com líderes chineses ao longo de várias décadas, Kissinger observa a forma como a China encarou a diplomacia, a estratégia e a negociação ao longo da sua história, refletindo também sobre o equilíbrio dos poderes num século XXI globalizado. Ora, nenhum país está tão ligado ao seu passado mais antigo e respetivos princípios clássicos do que a China. Razão pela qual qualquer tentativa de compreender o presente e o futuro deste país terá, forçosamente, de passar pela análise e apreensão da sua longa história.
Durante séculos não houve sociedades que igualassem o Império do Meio em dimensão e sofisticação. Nomeadamente ao nível do cânone de pensamento estratégico desenvolvido por estadistas chineses, que valorizava as virtudes da subtileza e da paciência. O que faz Kissinger? Examina episódios chave da política internacional da China, desde a sua era clássica até aos dias de hoje. E mostra o trabalho oculto da diplomacia chinesa em momentos importantes, como os primeiros encontros entre a China e os poderes ocidentais modernos, a formação e colapso da aliança sino-soviética, a Guerra da Coreia e a viagem histórica de Richard Nixon a Pequim, entre outros. Como a edição portuguesa, da Quetzal, está esgotada há tempo, a Penguin Books é uma boa opção para ler a China pelos olhos de Kissinger. O seu papel nunca foi secundário. Hoje ainda menos.