O Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, acusou Israel de desestabilizar a região do Corno de África, na sequência do reconhecimento israelita da independência da Somalilândia. A declaração foi feita durante a oitava sessão do parlamento federal, no sábado, e divulgada pela comunicação social local.
“A interferência israelita nos assuntos internos da Somália é um dos principais fatores que alimentam a instabilidade no Corno de África e na região do mar Vermelho”, afirmou o Presidente somali.
A Somalilândia, oficialmente denominada República da Somalilândia, é um Estado parcialmente reconhecido que declarou unilateralmente a independência em 1991, embora pertença oficialmente à Somália. Desde então, funciona como um Estado de facto, com Constituição, moeda e Governo próprios, mas sem reconhecimento internacional generalizado.
O reconhecimento por Israel, ocorrido em dezembro de 2025, gerou ampla oposição, particularmente em África, no mundo islâmico, na China e na União Europeia. A Somália considera que qualquer interação de governos estrangeiros com a Somalilândia deve ser conduzida em consulta com o executivo federal e em conformidade com o direito internacional.
Em meados de junho, a Somalilândia inaugurou uma embaixada em Jerusalém, uma medida que a Somália classificou como “uma violação” da sua soberania e sem “validade legal ou política”. A abertura da embaixada intensificou a controvérsia, dado que Israel considera Jerusalém como a sua capital unificada, incluindo o setor oriental, ocupado em 1967 e anexado unilateralmente em 1980, medida não reconhecida pela comunidade internacional. Os palestinianos reivindicam Jerusalém Oriental como capital do seu futuro Estado.
A Somália mantém a sua posição firme na defesa da soberania, independência e integridade territorial do país, contra qualquer forma de interferência externa. “Mogadíscio vai continuar a defender a soberania, a independência e a integridade territorial do país”, sublinhou o Presidente somali.
A situação na região do Corno de África permanece tensa, com implicações geopolíticas e de segurança que transcendem as fronteiras da Somália e da Somalilândia. A comunidade internacional observa com preocupação os desenvolvimentos, que podem afetar a estabilidade regional e as rotas marítimas do mar Vermelho.