Steve Eisman, o investidor que previu a crise imobiliária de 2008 e ficou conhecido pelo filme The Big Short, alertou que se as hiperescaladoras — como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon — cortarem seus gastos de capital (capex), o mercado de ações pode sofrer uma queda significativa. Em entrevista à CNBC, Eisman afirmou que o mercado atualmente está focado em uma única negociação: a inteligência artificial (IA).

Segundo Eisman, o sucesso ou fracasso da IA determinará os rumos do mercado. Ele destacou que os bancos norte-americanos tiveram bons resultados no segundo trimestre, impulsionados pelo financiamento de projetos de IA. No entanto, também apontou preocupações, como a alta intensidade de capital necessária para a IA e a dúvida sobre a vantagem competitiva dos modelos de linguagem existentes, especialmente diante de concorrentes chineses mais baratos baseados em open source.

O alerta veio após a Alphabet (controladora do Google) anunciar um aumento em seu capex, passando de uma faixa de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões para US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões. Isso provocou uma queda de 6,8% nas ações da empresa no dia seguinte, contagiando as outras do grupo das “Sete Magníficas” (Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Tesla, Apple e Nvidia). Na sessão de 23 de julho, o grupo perdeu US$ 797 bilhões em valor de mercado, a maior queda diária desde abril de 2025. Eisman alertou que, se houver cortes no capex dessas empresas, o mercado pode desabar.

Além disso, Eisman expressou dúvidas sobre a saúde de longo prazo da Anthropic e da OpenAI, destacando que os modelos de linguagem dessas empresas são cinco vezes mais caros que os chineses, o que seria positivo para a Nvidia no longo prazo, que fornece chips para essas infraestruturas.