Os Estados Unidos e o Irão trocaram este sábado ataques a infraestruturas e alvos militares, ao mesmo tempo que um negociador iraniano anunciou a suspensão dos compromissos de Teerão no âmbito do acordo provisório com os norte-americanos.
O Comando Central dos EUA afirmou este sábado que a sua sétima noite consecutiva de ataques atingiu “locais de vigilância, infraestruturas logísticas militares, armazéns subterrâneos de armas e capacidades marítimas”.
Por sua vez, Kazem Gharibabadi, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, disse à televisão estatal iraniana que “os EUA violaram os seus compromissos ao abrigo do acordo assinado há cerca de um mês e agora o Irão já não está a cumprir [os seus próprios compromissos]”.
Este sábado, os danos mais significativos ocorreram no Kuwait, quando o Irão atacou uma estação de dessalinização de água e uma instalação petrolífera, de acordo com as autoridades do Kuwait e a Kuwait Petroleum Corporation.
Os ataques feriram várias pessoas nas instalações petrolíferas e provocaram um incêndio na estação de dessalinização, obrigando várias unidades de produção de energia a interromperem o funcionamento.
O Kuwait fechou temporariamente o seu espaço aéreo devido a ameaças de mísseis, e a Kuwait Airways informou que estava a reprogramar a maioria dos voos de e para a capital.
A Guarda Revolucionária Islâmica, entretanto, reforçou o seu aviso de que os países que acolhem forças norte-americanas devem estar “preparados para receber uma resposta correspondente”, segundo a televisão estatal iraniana.
As autoridades iranianas reconheceram que os recentes ataques dos EUA mataram dezenas de pessoas e feriram centenas no Irão. As forças armadas norte-americanas, por sua vez, admitiram que vários dos seus militares ficaram feridos.
Os ataques ocorrem num momento em que o Irão e os EUA disputam o controlo do Estreito de Ormuz. O Irão afirmou que o estreito deve estar sob o seu controlo exclusivo e que os navios devem pagar taxas a Teerão. O Presidente norte-americano, Donald Trump, por seu turno, voltou a ameaçar atacar centrais elétricas e pontes para tentar obrigar o Irão a afrouxar o seu controlo sobre o estreito. Os EUA também restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos para travar os seus embarques de petróleo bruto.