Os sindicatos do setor bancário integrados na FEBASE (Mais Sindicato, SBN e SBC) acusaram esta segunda-feira o Millennium BCP de desvirtuar o que foi dito na reunião de conciliação promovida pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), reagindo a uma resposta do banco ao comunicado sindical de 13 de julho.
Em comunicado, as direções sindicais afirmam que foi “clara e inequivocamente proferida” durante a reunião uma declaração segundo a qual os trabalhadores do BCP seriam os menos produtivos do setor — afirmação que os representantes do banco negam ter feito, considerando-a “factualmente falsa”. Os sindicatos consideram “surpreendente” que o BCP procure agora negar algo que, segundo garantem, gerou de imediato “resposta firme e indignada” dos dirigentes sindicais presentes.
Segundo a FEBASE, o BCP invocou “total transparência” por ter elaborado um documento justificativo da sua posição, lido na reunião e posteriormente entregue aos sindicatos e à DGERT, ficando anexado à ata.
Os sindicatos contrapõem que esse documento foi apresentado “de forma avulsa” apenas durante a própria reunião, sem ter sido disponibilizado com antecedência que permitisse análise prévia pelos participantes, pelo que rejeitam que essa opção configure um verdadeiro exercício de transparência ou de contraditório.
Quanto à origem do processo de conciliação, o BCP sustenta que o recurso à DGERT foi “uma iniciativa exclusiva dos Sindicatos”, tomada de forma unilateral, sem que o banco tivesse qualquer autoridade para a impor.
Os sindicatos admitem ter sido eles a desencadear formalmente o mecanismo, mas atribuem essa decisão à recusa reiterada do banco em agendar reuniões e dialogar, incluindo declarações dos representantes do BCP de que não existiam condições nem era o momento para negociar aumentos salariais. Classificam por isso como “manifestamente abusivo” apresentar o recurso à DGERT como iniciativa isolada dos sindicatos.
Os sindicatos rejeitam ainda a versão do BCP de que a questão dos dividendos e das operações de recompra de ações (share buyback) estaria esclarecida por se tratar de informação pública. Segundo a FEBASE, o que estava em causa não era o acesso à informação, mas o facto de o documento apresentado pelo banco omitir referências aos dividendos distribuídos aos acionistas, o que impedia uma análise equilibrada da repartição do valor gerado entre acionistas e trabalhadores — elementos que, alegam, o próprio BCP reconheceu poder vir a facultar.
“Os trabalhadores do BCP em particular, e os bancários em geral, podem esperar sempre a verdade” por parte das três estruturas sindicais, concluem as direções do Mais Sindicato, do SBN e do SBC, no comunicado assinado em conjunto.
O Millennium BCP não comenta.