A CBRE diz que 72% dos financiadores planeiam aumentar o volume de financiamento em 2026, com o setor do living a liderar as preferências, seguido da logística e dos escritórios, que recuperam interesse face a 2025.
Em Portugal, a CBRE destaca uma maior sofisticação do mercado, com os fundos de dívida a ganharem terreno ao financiamento bancário tradicional.
Sete em cada dez financiadores europeus admitem aumentar a atividade de originação este ano, segundo o estudo European Lender Intentions Survey 2026 da CBRE, que aponta para um mercado de dívida imobiliária ainda líquido, apesar da incerteza macroeconómica.
O relatório indica que o crédito para operações no setor do living continua a ser o mais procurado, à frente da indústria e logística e dos escritórios. Estes últimos sobem três posições face ao inquérito de 2025 e passam a ocupar o terceiro lugar entre os setores com maior apetência por parte dos financiadores.
No caso dos bancos, a preferência pelos escritórios é ainda mais vincada, com o setor a surgir na segunda posição das suas escolhas, apenas atrás do living. A CBRE sublinha que esta evolução reflete uma confiança renovada nos fundamentos estruturais do segmento, apoiada sobretudo pela dinâmica dos ocupantes. O estudo mostra também maior abertura ao financiamento de setores alternativos, como co-living, cuidados de saúde, habitação acessível, residência para seniores e self-storage. No total, 86% dos inquiridos admitem aprovar crédito para pelo menos um destes segmentos, mais cinco pontos percentuais do que no ano passado.
Outra tendência assinalada é o aumento da disposição para financiar estratégias de construção, que sobe de 60% em 2025 para 69% este ano. Entre credores não bancários, essa disponibilidade chega a 81%, enquanto os bancos mantêm maior seletividade e concentram-se sobretudo em ativos de rendimento ou projetos com risco especulativo reduzido.
“Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco”, afirmou Igor Borrego
Em Portugal, a CBRE diz ser visível uma maior maturidade e diversificação das operações de financiamento imobiliário, apesar da preponderância do setor residencial. “Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco”, afirmou Igor Borrego, head of capital markets da CBRE Portugal.
O responsável acrescentou que têm crescido os financiamentos a outros segmentos, com destaque para residências de estudantes, logística e hotelaria, enquanto os escritórios recuperam interesse da banca, sobretudo em ativos Core e Core+ bem localizados. Para a CBRE, a complementaridade entre banca comercial e fundos de dívida poderá apoiar o desenvolvimento do setor imobiliário num contexto de procura ainda elevada.